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terça-feira, 28 de outubro de 2014

Atibaia derrota o Nacional na primeira partida da final da Segundona

Fala, pessoal!

No fim de 2004 a FPF unificou as antigas B1 e B2 e criou o Campeonato Paulista da Segunda Divisão. Nesses dez anos de futebol, trouxemos para o fã do futebol "perdido" a cobertura de seis finais consecutivas. De 2006 até 2011, vimos de perto as conquistas do União Mogi, Oeste Paulista, Pão de Açúcar, Red Bull, Taboão da Serra e Independente.

E após dois longos anos de ausência, o JP finalmente volta a cobrir a grande decisão da Segundona Paulista. Como Nacional e Atibaia, dois times "de perto", se garantiram na grande final nossa presença era mais do que obrigatória. O duelo pelo título começou sábado passado no Estádio Salvador Russani.

De volta à Série A3 depois de cinco temporadas na última divisão, o time ferroviário busca a terceira conquista estadual em todos os tempos. Apesar dos 95 anos de história, o time foi campeão no profissional apenas em 1994 ganhando a taça da Série A3. A equipe venceu o mesmo campeonato em 2000 numa histórica final contra o Garça.


Nacional AC - São Paulo/SP. Foto: Fernando Martinez.

Do outro lado do ringue, um novato. Fundado no final de 2005, o Falcão disputou sua primeira competição em 2006 e chegou perto da promoção em 2007 e 2013. Para a alegria da animada torcida da cidade, o esperado acesso aconteceu agora em 2014. No último jogo em casa na temporada o pessoal compareceu em peso ao estádio para incentivar o time laranja.


SC Atibaia - Atibaia/SP. Foto: Fernando Martinez.

Entre os 626 pagantes vale destacar a inédita caravana montada de última hora. Além do que vos escreve, o grupo contou com a dupla Colucci e Luiz e os mauaenses Gildásio e Rubens. O nível do papo tanto na ida quanto na volta foi digno de um chá das cinco na Câmara dos Lordes.


Capitães dos times e trio de arbitragem escalado para a decisão com o árbitro Leonardo Ferreira Lima e os assistentes Alex Ang Ribeiro e Renata Ruel de Brito. Foto: Fernando Martinez.

A chegada aconteceu por volta das três e meia da tarde. Já em campo encontrei o amigo Mário, mais uma vez batendo cartão num jogo do Falcão. Quando os times foram a campo vimos o belíssimo uniforme escolhido pelo time da casa exclusivamente para os dois últimos compromissos na Segundona. Camisa linda demais.

Após de todo o protocolo pré-jogo o árbitro finalmente trilou o apito pela primeira vez na tarde. E quem começou com tudo foi o Nacional. Em menos de cinco minutos o time criou três grandes chances de gol, todas defendidas pelo atônito goleiro local Válter. O gol não saiu e aos poucos a partida foi ficando mais equilibrada.


Uma das chances de gol para o Nacional no começo do jogo. Foto: Fernando Martinez.


Disputa de bola no gramado do Salvador Russani. Foto: Fernando Martinez.

O time visitante teve mais posse de bola e embora não jogasse mal, o escrete atibaiense não conseguiu criar nenhuma chance boa de gol durante todo o tempo inicial. Dos trinta minutos pra frente o jogo caiu de produção e os times foram para o vestiário sem a abertura do marcador.


Pelota levantada na área do Falcão. Foto: Fernando Martinez.


Zaga nacionalina dominando a bola dentro da área. Foto: Fernando Martinez.

O único ponto negativo da tarde aconteceu no intervalo. O bar local não estava funcionando e nenhum vendedor de água apareceu. O público ficou revoltado por conta da falta do precioso líquido. Para piorar, o pessoal não conseguiu sair para se abastecer no boteco que fica na frente do Salvador Russani. Um vacilo monstro.

A rapaziada acabou ficando com a opção de tomar água do banheiro ou degustar um sorvetinho do único ambulante presente no estádio. Com os ânimos mais calmos, o segundo tempo começou novamente com o Nacional melhor em campo. É, só que como quem não faz toma, o Atibaia abriu o placar na sua primeira chance real de gol aos 15 minutos.


Bruno Silva tentando se desvencilhar da marcação. Foto: Fernando Martinez.

Numa bola alçada em córner pela direita, Ademar subiu sozinho entre os zagueiros e cabeceou firme para deixar os locais em vantagem. O Naça não sentiu o gol e continuou jogando bem, mas novamente desperdiçou suas investidas. Para complicar ainda mais o time paulistano, o Atibaia conseguiu armar uma boa troca de passes que terminou com o gol de Gilsinho aos 30 minutos.


Mais um gol perdido pelo time visitante. Foto: Fernando Martinez.


O camisa 11 do time ferroviário tentando alcançar a bola. Foto: Fernando Martinez.

No minuto seguinte o camisa 7 nacionalino Anderson foi substituído e, depois de uma rápida discussão com o técnico Carlinhos, ele partiu pra cima do comandante ferroviário. Foi necessária a intervenção da turma do deixa-disso, caso contrário a chapa teria esquentado ainda mais.


Chegada pelo alto. Foto: Fernando Martinez.

Os 15 minutos finais foram um verdadeiro Deus nos acuda com o Nacional tentando pelo menos diminuir o placar para deixar a missão do time no jogo de volta menos complicada. De tanto insistir, a equipe fez o primeiro aos 44 minutos com uma cabeçada fulminante de Guilherme. Quase um replay do primeiro gol local.


No desespero o Nacional se lançou completamente ao ataque nos minutos finais. Foto: Fernando Martinez.

No fim, o Atibaia 2-1 Nacional deixou o time laranja precisando apenas de um empate para conquistar o título. Os paulistanos precisam vencer por qualquer contagem para comemorar a conquista jogando dentro de casa. Com certeza teremos boa partida no próximo sábado, dia do aniversário de 10 anos do Jogos Perdidos!

Com o gramado liberado pelos fiscais da FPF todos os amigos foram a campo para aquele pós-jogo peculiar que envolve o JP. Ficamos ali por quase uma hora falando sobre inúmeros assuntos antes de pegarmos a estrada com destino a capital. Uma estratégica parada para a janta me fez chegar em casa além das 22 horas.


Toda a turma, já contando com a presença do seu Natal, reunida no sensacional pós-jogo em Atibaia. Foto: Fernando Martinez.

No domingo não rolou futebol e sim um merecido descanso para uma semana tão corrida. Nessa semana que antecede mais um aniversário do blog teremos no cardápio Brasileiro Feminino, Sul-Americana, talvez Copa Paulista e a grande decisão da Segundona.

Até lá!

Fernando

domingo, 26 de outubro de 2014

Portuguesa soma mais uma derrota na Série B

Fala, pessoal!

A hora se aproxima. Mesmo que matematicamente a "tragédia" não tenha se consolidado, moralmente a Portuguesa já foi rebaixada para a terceirona. Resta saber em qual rodada isso acontecerá de forma oficial. Na sexta-feira passada fomos mais uma vez ao Canindé para acompanhar de perto os últimos momentos do time jogando em casa no Campeonato Brasileiro da Série B. O adversário da vez foi o sempre legal Icasa.

Com suas parcas três vitórias em 31 jogos (!), a Lusa não vence no seu estádio desde 3 de junho (10ª rodada) e não ganha um mísero jogo desde 26 de agosto (19ª rodada). No returno, o time jogou doze vezes, somando quatro empates e oito derrotas. Para ser uma campanha ridícula, o time rubro-verde precisaria melhorar muito.


Canindé quase vazio para Portuguesa x Icasa. Foto: Fernando Martinez.

Pouco mais de 400 almas, o menor público do campeonato, foi ao Oswaldo Teixeira Duarte para outra sessão de terror. Dessa vez nem a torcida organizada foi para dar uma arrepiada nos diretores e conselheiros do clube, alguns deles responsáveis pela situação vexatória do momento. Aliás, volto a perguntar: quando os autores da palhaçada de 2013 serão realmente punidos?


Ataque cearense no começo do jogo. Foto: Fernando Martinez.

Quando a bola rolou, ah, nada mudou. Com oito minutos o time cearense, que obviamente não é nenhuma máquina, já vencia por 2x0, gols de Naylhor e Ivonaldo. O pior time da Portuguesa em todos os tempos - mais uma responsabilidade dos dirigentes - ainda diminuiu o marcador aos 17 minutos com o gol de pênalti de Léo Costa.


De pênalti, Léo Costa diminuiu o marcador para a Portuguesa. Foto: Fernando Martinez.


Ataque rubro-verde no segundo tempo. Foto: Fernando Martinez.

O tempo inicial terminou em 1x2 e no segundo o time local até que que melhorou dentro das suas limitações. A improvável reação foi sepultada com as expulsões de André Astorga aos 29 e de Nery aos 33 minutos. Jogando com dois a mais o onze visitante ainda teve oportunidades para ampliar, mas a peleja terminou com o placar construído no primeiro tempo: Portuguesa 1-2 Icasa.


Lutando contra o rebaixamento, o Icasa conquistou importante vitória. Foto: Fernando Martinez.

Todo adjetivo negativo que utilizar aqui será pouco para nomear essa campanha lusitana. A equipe continua com seus vergonhosos 21 pontos conquistados de um total de 94 e se perder para o Oeste nessa terça já será rebaixada com cinco rodadas de antecedência. Triste e melancólico.

Como o ambiente estava menos tenso do que na semana anterior, saí do Canindé na companhia dos amigos Paulo "Shrek", Ricardo Espina, Mílton e o eterno campeão potiguar de botão Nílton (e seu filho Lucas). Antes de chegarmos na Estação Armênia do metrô, passamos por minutos de insanidade completa na região da Avenida do Estado por conta da presença de alguns animais fora do seu habitat natural.

No sábado o número de jogos era alto e as opções eram muitas, só que o foco era um só: a primeira final da Segundona Paulista em Atibaia. Com um inédito e animado quórum seguimos para o interior numa viagem sensacional.

Até lá!

Fernando

sábado, 25 de outubro de 2014

Nova goleada do ADECO no Brasileiro Feminino

Opa,

Quarta-feira passada teve mais uma sessão de futebol das meninas no Estádio Paulo Machado de Carvalho. O quase classificado Centro Olímpico recebeu as paraenses do Pinheirense para três pontos quase certos rumo à semi-final do Brasileiro Feminino 2014.

O time paulista era amplo favorito mesmo sem duas de suas principais jogadoras. Darlene e Cristiane, as maiores goleadoras da equipe, respectivamente com seis e sete gols, ficaram de fora. Enquanto Darlene voltaria no final de semana, o caso da maior artilheira dos Jogos Olímpicos era muito mais complicado.

A camisa 11 fraturou a clavícula na derrota para a Ferroviária e vai perder o restante da temporada, inclusive ficando de fora também da Libertadores Feminina, primeira competição internacional que o ADECO disputará na sua história e que acontecerá em São José dos Campos. A atleta fará grande falta.


AD Centro Olímpico (feminino) - São Paulo/SP. Foto: Fernando Martinez.


Pinheirense EC (feminino) - Belém/PA. Foto: Fernando Martinez.


Capitãs dos times e trio de arbitragem paulista para a partida com Leandro Bizzio Marinho, Bruno Salgado Rizo e Alex Ang Ribeiro. Foto: Fernando Martinez.

Por graça dos céus a tarde não estava com aquele absurdo calor dos últimos tempos e pude ver a peleja de forma tranquila. os amigos Ricardo Espina e Rodrigo Colucci também foram ao Pacaembu esperando um placar com dois dígitos a favor das locais. Nada mais normal levando em conta o 16x1 (!) que o General da Vila sofreu para a Ferroviária na semana anterior.


Campeã da Copa América com a seleção brasileira, a zagueira Aline Calandrini, dona de um dos sorrisos mais bonitos do futebol feminino, fez a sua estreia na competição após cinco semanas de ausência. Foto: Fernando Martinez.


Lauzi, camisa 3 do Pinheirense, marcando Gabi Nunes, 26 do ADECO. Foto: Fernando Martinez.

No início do confronto deu a impressão que a goleada seria confirmada, pois nem bem a peleja começou e o ADECO já vencia por 2x0, gols de Ketlen aos três e Luize aos seis minutos. O que parecia ser um massacre se transformou em decepção pelo fraco futebol do Centro Olímpico.


Cobrança de falta para as locais. Foto: Fernando Martinez.


Disputa de bola pelo alto entre a zagueira Pelé e Gabi Nunes. Foto: Fernando Martinez.

O time tinha amplo domínio territorial e ocupou o setor defensivo do Pinheirense por todo o tempo, mas foram poucas as conclusões certas. Quando a bola acertava o alvo, a goleira Pingo mostrava serviço. O primeiro tempo terminou assim.


Tamires se arriscando no ataque do ADECO. Foto: Fernando Martinez.


Ataque visitante no tempo final. Foto: Fernando Martinez.


Tamires apostando corrida com a zaga visitante. Foto: Fernando Martinez.

No segundo o panorama não mudou muito, e somente Luize, a mais inspirada atleta do Centro Olímpico, animou as coisas com mais dois tentos, um aos 15 e outro aos 21. A jogadora agora é a terceira artilheira da equipe no certame com quatro gols, atrás das duas ausentes da tarde.


Luize, artilheira da tarde, em mais um ataque local. Foto: Fernando Martinez.


Detalhe do quinto gol do Centro Olímpico. Foto: Fernando Martinez.

A peleja foi seguindo em banho-maria e aos 46 minutos o marcador foi fechado com um belo gol de Moretti. No fim, a peleja ficou em Centro Olímpico 5-0 Pinheirense/PA. O resultado classificou as meninas paulistanas para a fase semi-final. Mesmo com desfalques, o sonho do bi ainda está muito vivo.

Depois do jogo, e aproveitando que estava sem almoçar, subi a ladeira monstro que leva até a Avenida Doutor Arnaldo e aproveitei para matar a fome numa lanchonete da região junto com os amigos presentes. Dali segui para casa e o futebol voltou à ativa novamente na sexta, com mais uma sessão de terror rubro-verde na Série B.

Até lá!

Fernando

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

JP na Copa (parte 21): A melancólica despedida brasileira da sua Copa

Fala, pessoal!

Depois de ver meu 12º jogo na Copa do Mundo finalmente aproveitei o restante das minhas férias para o sentido real delas: descansar. Foram dez dias em casa ainda ligadaço em tudo relacionado ao Mundial. Quando voltei ao batente no dia 10 de julho, nem parecia que faltava ainda minha despedida definitiva do certame.

Sempre gostei de assistir pela televisão a decisão do terceiro lugar da Copa do Mundo e quando tive a chance de adquirir o ingresso para essa peleja, marcada para o belíssimo Estádio Nacional Mané Garrincha, não pestanejei. O cenário ideal para mim seria ver qualquer duelo envolvendo uma das 31 seleções estrangeiras que vieram ao país.


Fachada do Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha no penúltimo jogo da Copa do Mundo 2014. Foto: Fernando Martinez.

Só que o Brasil não quis colaborar comigo e, depois do maior vexame da história do futebol mundial em todos os tempos, os comandados pelo superado Felipão "se classificaram" para definir o bronze da Copa contra a Holanda, seleção que já tinha visto contra a Austrália em Porto Alegre e contra o Chile em São Paulo, e que foi derrotada pela Argentina na outra semi. Graças a essa peleja, o selecionado laranja se tornou o time que mais vi no Mundial.


Faixa de boas-vindas entre as colunas do estádio. Foto: Fernando Martinez.

Para essa minha última escala na maior Copa de todos os tempos vivi 24 horas intensas em três capitais com dois voos com uma escala cada de duas companhias aéreas diferentes. Como a partida foi realizada na capital federal, contei, como sempre, com a prestativa ajuda do amigo Raul, dono do ótimo blog Campo de Terra.

Cheguei em Brasília por volta das onze e meia da matina depois de sair de São Paulo às oito e de passar rapidamente em Belo Horizonte. Passeamos por vários pontos turísticos antes de seguimos para o apartamento da simpaticíssima família Dias. Reencontrei o pessoal gente boa e logo estávamos em trânsito de novo, agora para o palco de mais um jogo entre Brasil e Holanda em Copas do Mundo.


Grande público para a decisão do terceiro lugar da Copa 2014. Foto: Fernando Martinez.

Para minha surpresa a torcida estava até que bastante animada mesmo depois do 7x1. Apostava que o pessoal estaria indignado e que muitos devolveriam o ingresso, mas não foi isso que aconteceu. Mais de 68 mil pagantes marcaram presença na partida. Pra variar um pouquinho, fiquei um tempo perambulando pelos vários stands no famoso pré-jogo curtindo cada segundo.

Faltando cerca de meia hora para o apito inicial fui para o meu lugar reservado junto com a Van, que naquela tarde completou sua nona partida no Mundial. Dessa vez a FIFA armou uma pegadinha e nos colocou no penúltimo (!) lugar atrás de um dos gols, lááááá no alto. O lugar era tão longe, mas tão longe, que ficamos acima da própria cobertura do Estádio Nacional.


Seleções do Brasil e da Holanda entrando em campo. Foto: Fernando Martinez.

Bom, a programação estava seguindo como se fosse um jogo "normal" do Brasil. Pessoal aplaudindo os atletas, hino nacional cantado a plenos pulmões, gritos de incentivo e tudo mais. Mas bastou o jogo começar para tudo ir pro ralo e pra galera lembrar do massacre acontecido dias antes em Minas Gerais.


Van Persie se preparando para bater o pênalti que abriu o placar em Brasília. Foto: Fernando Martinez.


Ataque brasileiro no primeiro tempo. Foto: Fernando Martinez.

Com pouco mais de um minuto de jogo a Holanda teve penal a seu favor. Van Persie bateu bem e abriu o placar, ampliado aos 17 com o gol de Blind. O clima mudou por completo. As vaias surgiram como que num passe de mágica e chegamos a ver vários figuras indo embora do estádio (amadores que não gostam de futebol, mas mesmo assim vale o registro).


Cobrança de falta para o time da casa. Foto: Fernando Martinez.


Tentativa (frustrada, claro) de ataque brasileiro. Foto: Fernando Martinez.

Mostrando uma completa incapacidade em reagir e com o enganador Jô comandando o ataque (de risos), o Brasil não foi páreo para o ótimo time holandês. A sorte foi que os europeus seguraram a one tiraram o pé do acelerador. Se apertassem, o selecionado da CBF tomaria outra bucha.


David Luiz tentou imitar o que fez contra a Colômbia nesse lance... Mas não deu certo. Foto: Fernando Martinez.


Lance de Brasil x Holanda em Brasília. Foto: Fernando Martinez.

Confesso que eu nem me preocupava direito com o que estava acontecendo dentro das quatro linhas, pois estava triste por fazer minha despedida na Copa. O que passei antes, durante e depois dos jogos foi tão legal, tão incomum e tão eletrizante que eu queria que o Mundial não acabasse mais. A cada minuto que passava ficava mais próxima a hora de dizer adeus para o campeonato mais espetacular de futebol que já tive o prazer de acompanhar em toda minha vida.


O pôr-do-sol de 12 de julho entre as colunas monumentais do estádio. Foto: Fernando Martinez.


Visão geral do Estádio Nacional na capital federal. Foto: Fernando Martinez.


Comemoração holandesa com o terceiro gol. Foto: Fernando Martinez.

O jogo foi seguindo de forma melancólica para muitos, e o gol de Wijnaldum aos 46 do tempo final, fechando a grande vitória holandesa, foi o último prego no caixão da seleção nacional. O placar final de Brasil 0-3 Holanda deixou a Laranja Mecânica como terceira colocada invicta, numa grande Copa de Robben, Van Persie e companhia.


Placar final da despedida ridícula do Brasil no Mundial. Foto: Fernando Martinez.


Pódio montado para a entrega das medalhas ao selecionado holandês, terceiro colocado da Copa 2014. de forma vergonhosa, o Brasil saiu de campo e foi um péssimo anfitrião durante a cerimônia. Foto: Fernando Martinez.


A genial volta olímpica holandesa após a premiação. Foto: Fernando Martinez.

Já o time canarinho terminou a competição de forma vergonhosa, vexatória, ridícula, péssima, etc, etc, etc. O time venceu apenas três dos sete jogos e enumerou uma série bizarra de recordes negativos que serão difíceis de serem batidos. O quarto lugar serviu ao menos para limpar a história dos grandes vice-campeões de 1950, injustamente rotulados de "perdedores" por 64 anos.

Quatro meses depois do fim da Copa a seleção tem novo (velho) técnico e já venceu os quatro amistosos que disputou. Muitos acham que a mancha da derrota nem foi tão grande assim, enquanto a maioria (eu incluído) acham que isso nunca será apagado, a não ser que o time vença uma eventual terceira Copa realizada aqui, isso daqui a uns 80 anos, se acontecer.

Voltando ao 12 de julho de 2014, não queria de jeito nenhum sair do colossal estádio para poder curtir o clima da Copa até o último momento possível. Fiquei com a Van ali mais de uma hora, até um simpático steward pedir minha saída, isso quando o Mané Garrincha já estava completamente vazio. Triste, mas realizado, fui literalmente o último torcedor a sair do estádio.

Para celebrar tudo que fizemos no Mundial saímos dali e fomos até uma sensacional pizzaria próxima ao Plano Piloto. A turma toda ficou por aqui por muito tempo degustando a deliciosa iguaria num bate -papo simplesmente incrível antes de seguirmos até o aeroporto da capital federal.


Noite de despedida da Copa do Mundo com a presença do amigo Raul Dias e sua família sensacional na capital federal. Ô pessoal gente boa! Foto: carro parado no estacionamento.

O voo atrasou um pouco e antes de pousarmos em São Paulo fiz uma genial escala em Cuiabá, com direito a ver do alto a Arena Pantanal, uma das sedes da Copa. Cheguei em casa por volta das nove da matina e dormi bastante antes de acompanhar pela televisão os últimos 120 minutos de futebol da vigésima edição da competição que teve a Alemanha como merecida campeã.

Vivi momentos inesquecíveis na presença de tantos amigos, conhecidos e afins que não tenho como citar todos por aqui. Cada um deles teve participação na minha história pessoal na Copa do Mundo, construída em meio a treze jogos vistos ao vivo, mais de vinte trechos percorridos de avião, alguns trechos de ônibus, visitas a seis estádios - com direito e onze times novos na Lista num total de 18 seleções vistas entre as 32 participantes - e um número de histórias tão genial que caberiam somente num livro.

Falando em legado, não o do país (que não existiu) e sim do meu pessoal a respeito do Mundial, fica a certeza que mudou algo na minha percepção do futebol. Alguns velhos conceitos não existem mais, e o olhar clínico adquirido em anos de "jogos perdidos" foi modificado. Nem melhor, nem pior, mas bastante diferente. Quem viu pelo menos um joguinho da Copa sabe bem do que estou falando.


Minha última imagem na Copa do Mundo no estádio vazio após curtir 1.200 minutos de futebol ao vivo. Se pudesse, teria feito ainda mais. Foto: Van.

E com esse 21º capítulo, tenho o prazer de encerrar a série "JP na Copa" trazida basicamente por mim e pelo Estevan. Esperamos que todos tenham curtido essa sequência histórica de posts de jogos nada perdidos, mas que mostraram uma visão de quem assistiu o Mundial das arquibancadas e sentiu o clima único da competição. A certeza que fica é que não foi a última Copa do Mundo que vimos de perto... Ah, não foi mesmo.

Até 2018!

Fernando

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Cobra Coral dá bote certeiro e mata bacalhau na Série B

Salve amigos!!

Um inesperado final de semana em Recife, para conhecer minha recém nascida afilhada, não poderia deixar de fora a passagem por um estádio de futebol. Infelizmente, uma partida nada perdida, mas quando se está entre os fanáticos torcedores do Santa Cruz, o contentamento de um amante de futebol beira a plenitude.

Agradeço aqui ao amigo Esequias Pierre, que muito amavelmente me ciceroneou pela Veneza Brasileira, e ainda me agraciou com o CD de uma Troça Carnavalesca organizada por torcedores do Santinha, e três simpáticas cobrinhas, mascotes da equipe.


Detalhe do carinho recebido por Pierre. Foto: Estevan Azevedo.

Depois de me buscar em Olinda, passamos pelos arredores do Arruda, coletando outros torcedores tricolores e rumamos à Arena Pernambuco, palco de cinco pelejas na última Copa, e estádio já visitado por mim em duas oportunidades na Copa das Confederações 2013. O jogo? Santa Cruz x Vasco da Gama pelo Campeonato Brasileiro da Série B.

Dessa vez, deixei o esquema metrô-ônibus e aproveitei a carona do amigo, que lamentava o fato de o Santa não jogar no Arruda, estádio central e de fácil acesso. Realmente, chegar a Arena tem sido um martírio para os pernambucanos. No meu caso, o jogo era um sábado à tarde, e pegamos muito trânsito por conta de diversas pessoas que se dirigiam para diferentes destinos no interior do estado.


Arena Pernambuco, versão pós-Copa. Foto: Estevan Azevedo.

Já próximo ao palco da partida, a organização do trânsito não é das melhores. A impressão que fica é a de que os (des)organizadores realmente se reúnem na véspera a fim de descobrir um meio de causar o maior transtorno possível. Bom, pelo menos o estacionamento é amplo e pertinho do acesso às arquibancadas. Embora não haja segurança nenhuma no local, apesar do salgado valor pago pela vaga.


Nossa visão durante a partida. Foto: Estevan Azevedo.


Papai Joel observando atentamente a equipe. Foto: Estevan Azevedo.

Entramos minutos antes do apito inicial, e nos posicionamos na direção de um dos córneres, a fim de fugir dos raios solares. A primeira etapa foi amplamente dominada pelo Santa Cruz, que manteve a posse de bola no campo de ataque e criou boas chances, mas sem conseguir abrir o placar. O Vasco mal respondia, apenas conseguiu conter o ímpeto pernambucano após os 30 minutos. Mas nesses quinze minutos finais apenas cozinhou o galo, mal chegando próximo do gol pernambucano.


Lance da primeira etapa. Foto: Estevan Azevedo.


Zaga vascaína cortando cruzamento. Foto: Estevan Azevedo.

No intervalo provei uma saborosa paleta mexicana de paçoca, espécie de sorvete fabricado na Bahia e vendido na Arena. Com pedaços enormes de paçoca no corpo da guloseima, ganhou fácil o selo JP de qualidade. Uma especiaria requintada, das que raramente podem ser encontradas em canchas nacionais.


Uma das raras subidas do Vasco ao ataque na primeira etapa. Foto: Estevan Azevedo.


O segundo tempo foi jogado com iluminação artificial. Foto: Estevan Azevedo.

A partida mudou na segunda etapa. O Santa Cruz demonstrava cansaço, e o Vasco se aproveitava de sucessivas falhas na saída de bola pernambucana, e levava bastante perigo. Os donos da casa pareciam fadados a sucumbir a qualquer momento, e o gol vascaíno amadurecia.



O arqueiro do Santinha teve muito trabalho na etapa final mas conseguiu cumprir bem seu papel. Fotos: Estevan Azevedo.

Eis que, aos 40 minutos de jogo, a estrela de Osvaldo Canindé, o técnico pé-quente com grande experiência por clubes nordestinos, brilhou com força. Dois jogadores que entraram na segunda etapa deram novos rumos à partida. Renatinho, no campo de defesa, viu Cassiano sozinho pela direita do ataque e fez um lançamento perfeito. Cassiano deslocou o zagueiro vascaíno, centrando a bola, penetrando na área e tocando no canto direito do goleiro vascaíno, para delírio da fanática torcida coralista.


Lance da segunda etapa. Foto: Estevan Azevedo.


Ataque tricolor no segundo tempo. Foto: Estevan Azevedo.

Fim de jogo, Santa Cruz 1x0 Vasco, resultado que deixou o Santinha em sétimo lugar, e o Vasco em terceiro, ao final da rodada. O acesso ainda está muito difícil para os pernambucanos, mas o momento do time é bom, e se a sequência de bons resultados continuar, o clube pode surpreender, após um início muito ruim.

O Vasco, apesar da irregular temporada, deve confirmar o acesso. O título, porém, está custando muito caro para o clube, que talvez não tenha garrafas vazias pra vender em número suficiente. Os adversários já estão falando que o bacalhau será vice.


Com Pierre a direita, a rapaziada presente se reuniu pra registrar o momento. Foto: Transeunte.


Escultura “O Artilheiro”, de Abelardo da Hora, valorizando o entorno do estádio. Foto: Estevan Azevedo.

Se chegar no estádio foi complicado, a saída não foi diferente. Com as cerca de 20 mil pessoas presentes se retirando praticamente ao mesmo tempo, os poucos acessos ficam congestionados rapidamente, num verdadeiro caos.

Com a sabedoria de um “Jurandyr”, Pierre se embrenhou por entre caminhos de São Lourenço da Mata e Camaragibe, e com segurança retornamos a Recife, a tempo de visitar o largo onde, há 100 anos, começou a história do Santinha. Um delicioso arrumadinho de bacalhau (não poderia ser outro o prato do jantar) e algumas biritas depois, Pierre ainda me levou até o meu QG, em Jaboatão dos Guararapes.

Foi isso! Até a próxima!

Estevan